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Sobre PSITALK

Somos um grupo de terapeutas vocacionados para as áreas da Psiquiatria, Psicologia Clínica e Psicoterapia. Dr. João Parente - Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta http://www.joaoparente.com https://psiworks.pt Dra. Magali Stobbaerts - Psicóloga clínica, Psicoterapeuta e Professora de Yoga http://magalistobbaerts.wordpress.com/ Dra. Catarina Barra Vaz - Psicóloga clínica e Psicoterapeuta http://catarinabarravaz.blogspot.pt/ Dra. Joana Fojo Ferreira - Psicóloga clínica e Psicoterapeuta http://joanafojoferreira.weebly.com/ Dra. Rita dos Santos Duarte - Psicóloga clínica e Psicoterapeuta http://duarita.wix.com/ritasantosduartepsicoterapia Dra. Cristina Marreiros da Cunha - Psicóloga clínica e Psicoterapeuta http://www.espsial.com Dra. Catarina Mexia - Psicóloga clínica e Psicoterapeuta http://catarinamexia.com/ Dr. Pedro Garrido - Psicólogo clínico e Psicoterapeuta https://pedrogarridopsicologiaclinica.wordpress.com/

Que Atitude tem Perante a Vida?

atitude perante vida
Estão três pessoas a pôr tijolos e passa um homem que pergunta a cada uma:
“O que é que está a fazer?”.
A primeira responde:
“Estou a assentar tijolo”.
 A segunda responde:
“Estou a montar uma parede”.
A terceira responde:
“Estou a construir uma catedral”.
Quando olha para a sua vida o que é que vê? No que é que está a investir?
Facilmente caímos no erro de achar que a vida é o que é e que não temos qualquer poder sobre ela, mas será de facto assim?

Na história inicial, três pessoas, de um ponto de vista externo, partilham a mesma realidade, estão a pôr tijolos, mas de um ponto de vista interno, cada uma tem diferentes perspectivas do que está a fazer, dá um significado diferente ao seu trabalho, o que sugere uma postura diferente perante a vida.
A primeira parece olhar o mundo de um ângulo muito estreito, focada na tarefa mas com pouca visão da imagem maior, do objectivo, do propósito. Há momentos em que este modo é importante, focarmo-nos no aqui e agora, sem passado nem futuro, a estar simplesmente; mas é arriscado estarmos sempre aqui; perdendo o objectivo maior, a visão macro, corremos o risco de desmotivar, perder o rumo, perder o sentido da vida.
A segunda já parece ter aumentado um bocadinho o ângulo, já tem esta perspectiva maior, já há um propósito, um objectivo; a esta o que parece faltar é a visão mais sonhadora, mais idealista; há uma ideia dos objectivos intermédios mas faltam os objectivos maiores, os projectos de vida.
A terceira parece ter o ângulo mais abrangente; há um projecto de vida no qual está a investir, para o qual está a trabalhar. Há também um potencial risco nesta postura; se ficarmos só pelo objectivo último, sem investir nas capacidades e ferramentas que precisamos para o alcançar, corremos o risco de nunca o realizar. Não parece contudo ser o caso aqui, há um sonho mas há também o pô-lo em prática e começar a construí-lo do princípio.

Clarificadas estas três formas de estar e olhar para a vida, urge questionar:
Primeiro, onde é que eu me coloco? E segundo, o que é que eu quero fazer da minha vida? Quero assentar tijolo, montar uma parede ou construir uma catedral?

A Nossa Saúde Mental

A nossa Saúde MentalSabemos que a fome mata nalgumas partes do mundo, duma forma que nada tem a ver com o que acontece nos chamados países desenvolvidos. As condições de saúde são outro dos grandes diferenciadores entre os países do chamado primeiro mundo e os países subdesenvolvidos. As grandes epidemias que dizimam milhares de vidas e os escassos recursos duma parte do planeta, não se comparam ao tipo de doenças e às condições sanitárias a que nós temos acesso. Nesta parte privilegiada do globo os problemas de saúde com que nos vemos confrontados estão, cada vez mais, associados a doenças que de alguma forma se podem prevenir introduzindo mudanças em hábitos comportamentais. Ou seja, vivemos num lugar e num tempo em que os nossos comportamentos assumem um papel preponderante na saúde que vamos tendo.

Não constitui hoje novidade que a actividade física regular e cuidados com a alimentação, assim como um estilo de vida saudável em ambientes pouco poluídos, constituem uma mais-valia para um percurso com saúde. A esperança de vida continua a aumentar, mas a consciência de que esse aumento de longevidade pode ser feito com tanto mais saúde, quanto nós enveredarmos por escolhas saudáveis, felizmente também.

Há contudo alguns aspectos que convém lembrar. Por um lado a hereditariedade e a genética têm uma palavra a dizer na longevidade e na forma como se desenvolvem algumas doenças. Por outro, a forma como vivemos é importante, não só para evitarmos algumas dessas doenças, como também porque podemos influenciar a altura ou a forma como elas se manifestam e a que velocidade e intensidade vão ou não infligir os seus danos.

Todos sabemos que “os acidentes acontecem”. Mas nunca antes tivemos tantas condições para prevenir alguns desses acidentes como actualmente. Não é seguramente saudável viver angustiado ou obcecado com a prevenção de acidentes, ou com o nosso estado de saúde, mas adquirir hábitos saudáveis, como uma nova rotina, e visitas regulares ao médico está ao nosso alcance.

Enquanto psicóloga clínica e psicoterapeuta, preocupo-me especialmente com a saúde mental. É curioso, pensarmos e darmos como certo que conseguimos treinar o corpo para fazer esta ou aquela habilidade (atletismo, ginástica, dança, malabarismo, tocar um instrumento musical, etc, etc) e termos dúvidas sobre como podemos treinar a nossa mente ou mudar alguns dos nossos comportamentos. Certo é que a plasticidade neuronal faz com que tal seja possível.

Em saúde mental também surgem problemas de doença que ocorrem por acidente, hereditariedade ou problemas genéticos, mas a grande parte dos problemas de saúde mental que nos afectam ao longo da vida surgem de questões ambientais/educacionais/comportamentais e, na grande maioria dos casos, da combinação de factores de vária ordem que influenciam a forma como nos sentimos e como percepcionamos e pensamos o que nos rodeia, isto é afectam as nossa crenças sobre nós e os outros, as nossa vivências e o modo como gerimos as nossas emoções.

Quer na doença mental, quer na recuperação e manutenção da saúde psicológica, é possível melhorar através de novas formas de olhar a doença, a saúde, de nos olharmos a nós próprios, os outros, a existência, a vida, ou seja, através de mudanças com as quais nos podemos comprometer.

Todos nós necessitamos de sermos únicos e ao mesmo tempo de nos sentirmos próximos, ou seja, a nossa necessidade de diferenciação é tão importante como a nossa necessidade de intimidade. A nossa necessidade de paz e sossego é tão importante quanto a nossa necessidade de actividade e procura. A nossa necessidade de estabilidade e rotina é tão necessária quanto a nossa necessidade de inovação e aventura. Se estas e várias outras necessidades são, de alguma forma comuns a toda a gente, o seu grau de intensidade, ou a altura em que preferimos habitar mais um lado ou outro deste contínuo, varia de pessoa para pessoa e na mesma pessoa, varia ao longo do tempo e em diferentes fases da vida.

Evoluir em saúde mental é saber estar atento a essas necessidades, saber escutar as nossas emoções, ouvir as diferentes partes de nós que muitas vezes nos pedem coisas opostas, viver as contradições, compreender porque existem e aprender a dialogar e regular esse mundo interior que habitamos ao mesmo tempo que regulamos diferenciadamente as nossas interacções com o nosso mundo exterior.

Melhorar a nossa saúde mental é aumentar o grau de conhecimento sobre nós e o grau de liberdade e responsabilidade pelas escolhas que fazemos, tornando-as verdadeiramente nossas.

Viver com saúde mental, é conseguirmos conviver com um mundo infinitamente grande e muito maior do que nós (macroscópico), sem, por isso, nos sentirmos insignificantes e, simultaneamente conseguirmos conviver com um mundo infinitamente mais pequeno que nós (microscópico), sem que isso nos faça sentir Reis ou donos do Mundo.

Abraçar a nossa saúde mental é conseguirmos interagir com o que nos rodeia e olhar para nós simultaneamente, como uma simples nota musical, de timbre, altura e intensidade única ou como uma gota de tinta, de brilho, cor e tonalidade específica, mas também como uma linha melódica ou um movimento de pincel, e ainda, e também, como um todo composto por partes; uma sinfonia em curso, ou um quadro que se vai transformando, como um bailado de nós connosco e de nós com os outros.

Cristina Marreiros da Cunha – Psicóloga e Psicoterapêuta

Luzes, câmara, luzes e … mudança!

luzes, camara

Quantas vezes já deu por si a pensar que a sua vida dava um filme?
Não necessariamente um filme de humor nem uma comédia, e também não teria de ser uma tragédia, mas um filme claramente surreal, cheio de peripécias que, por vezes, dispensaria de bom grado.
Se foram muitas estas vezes em que tudo lhe parece acontecer, talvez seja altura de tentar perceber quem anda a escrever os papéis que lhe tem cabido interpretar. E, aproveitando o ensejo, tentar perceber o que o leva a continuar a desempenhar esses papéis em vez de experimentar novos desafios na arte da representação (ou, na verdade, de viver a vida!).

Muitas vezes encontramo-nos presos a um determinado estilo de papéis que, num determinado momento da nossa história, nos foi pedido (ou até exigido) que representássemos. Fomos aquele herói improvável que avançou de forma destemida apesar das contrariedades. Ou fomos a personagem ingénua que confiou cegamente na capacidade de protecção dos outros e no fim se encontrou a braços com uma reviravolta (não tão) surpreendente. Também nos pode acontecer sermos apontados como o déspota tirano, ou até o vilão que, bem lá no fundo, até tem sentimentos, mas a quem ninguém dá a devida atenção e a oportunidade de se redimir.
Até aqui, tudo bem. O problema, como acontece tantas vezes nas versões de Hollywood, é que um determinado actor ou actriz, quando desempenha um papel demasiado bem, acaba quase sempre por ser procurado novamente para continuar a representar esse tipo de papéis. Em quase exclusividade. Lá está, exactamente como em Hollywood, sem grandes hipóteses de poder surpreender o público com novas competências e personagens.

Somos, desde pequenos, estimulados e incentivados a desempenhar um determinado tipo de papel ao longo das variadas relações que estabelecemos. Assim, vamos exercitando as nossas capacidades e competências sobretudo num espectro relativamente estruturado de guiões. Acabamos por nos tornar especialistas num tipo de papel, que é como quem diz, num emaranhado de padrões de relacionamento com os outros e connosco que acaba por ser repetido, mesmo que não entendamos o porquê.
Num desenvolvimento saudável e potenciador, a vida acaba por nos expor a determinadas situações que nos desafiam a fazer diferente do que já tínhamos feito até então. Compete-nos a arte de aprendermos a flexibilizar e de sermos melhores protagonistas em cada guião diferenciado com que temos de lidar. Por vezes temos de ser vilões, outras vezes a figura em apuros, outras vezes o super-herói. E algumas vezes, temos de perceber que o filme em que nos encontramos não é sequer para ser protagonizado por nós e que o nosso papel será apenas uma tímida interpretação secundária. Ou mesmo uma ligeira e fugaz figuração.

Mas quando não conseguimos quebrar este padrão, expomo-nos a situações que nos podem trazer sofrimento, ao tentarmos repetir sempre o mesmo papel. Por vezes, representar o mesmo papel quando toda a narrativa mudou, torna-se desadequado e quem mais sofre é quem insiste em desempenhar um papel que agora é desnecessário e até possivelmente inconveniente. E é neste momento que a tomada de consciência deste “guião de vida” do qual nos fizemos reféns se torna importante. É importante reconhecer este padrão, este “papel-tipo” em que a pessoa se coloca, para poder sequer ousar experimentar fazer e ser diferente. Na verdade, a maior parte das vezes, a pessoa está tão habituada a este papel-tipo que o veste quase como uma segunda pele e sem sequer se aperceber que é bem mais do que a personagem que tantas vezes interpreta.
Por isso, representar outros papéis é algo que envolve uma determinação e um esforço que a pessoa tipicamente não esta a espera. Parece ser tão mais fácil regressar a esta personagem de outrora, mesmo que ela traga sofrimento.
Recordando Shakespeare, o mundo é um palco e a vida é uma peça sem ensaios. Permito-me acrescentar que o processo terapêutico pode ser o mais próximo possível do ensaio geral que a vida nos possibilita.

Um passo seguinte, ousado, mais exigente, ocorre quando nos libertamos destes papéis e passamos a ter autonomia e liberdade para reescrevemos os nossos filmes e nos apoderarmos da forma como conduzimos esta vida em que participamos. Tornamo-nos argumentistas. Produtores. Realizadores. Com direito a fracassos e a sucessos. Por vezes aplausos, outras, silêncio. Algumas, aplausos merecidos, outros fingidos, alguns silêncios estranhos, outros reconfortantes.

De facto, os grandes artistas são aqueles que conseguem adaptar-se ao registo de cada obra na qual participam, quer a representar, a escrever, produzir e até a realizar.
Sejamos os melhores produtores, argumentistas e protagonistas desta nossa peça. Porque é nossa. Única. E contínua…

Ana Baptista de Oliveira – Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta

Novas Famílias, Novos Papeis

familia

As configurações familiares no início deste milénio são muito variadas e complexas. O casamento transforma- se em casamentos e muitas crianças experimentam duas vivências familiares distintas: a casa da mãe e a casa do pai.
As configurações familiares no final deste milénio são muito varia¬das e complexas. Ao longo de uma vida é cada vez mais frequente “o casamento” transformar-se em “casamentos”. A família tradicional transforma-se noutra de contornos maleáveis e dinâmicos. As crianças podem experimentar duas vivências familiares distintas, a casa da mãe e a casa do pai. E os filhos da nova união poderão ter irmãos residentes e irmãos de fim- de-semana… E todos acabam por desempenhar uma multiplicidade de papéis que algumas vezes não desejaram, ou sobre os quais possuem pouca informação.
Período crítico. A fase de transição, da ruptura de uma célula familiar à organização da nova estrutura, é um período crítico, em que a definição das novas rotinas quotidianas, da gestão das emoções e dos medos e de encontrar o lugar de cada um na família se traduzem num esforço relacional e emocional que fragiliza todos os intervenientes. É neste período crítico que o nível de insegurança emocional se acentua, como é de esperar nos processos de mudança. E as crianças são, infeliz¬mente, os alvos preferenciais dos medos e angústias desencadeados pelas modificações profundas no seu universo socioafectivo.
Mas é sobre os adultos que gosta¬ria de reflectir, pois a sua actuação pode ser determinante para que esta mudança resulte bem para as crianças, marcando a diferença entre uma “saudadezinha do papá” ao adormecer, que se cura com um telefonema tranquilizante, ou o medo do abandono e do conflito entre os pais que vão minando a tranquilidade dos mais novos. A verdade é que a qualidade da actuação dos adultos depende muito da forma como gerem os seus próprios receios e fantasmas.
E se o novo companheiro não gosta das minhas crianças? Mui¬tas vezes esta inquietação surge quando o convívio entre o novo parceiro e as crianças se intensifica, nomeadamente quando começam a coabitar. A expectativa dos adultos em relação à intensidade dos laços afectivos é, por vezes, desadequada e origina respostas muito reactivas aos contratempos e ajustes que inevitavelmente surgem. Os afectos também se constroem e para isso é preciso tempo.
Definir papéis. As mudanças abruptas são as mais violentas. Se já existem laços de convívio,se já pudemos observar a criança a interagir com o novo companheiro e gostámos do que vimos, talvez não haja motivo para grande inquietação. O planeamento é uma estratégia óptima para reduzir a incerteza e os mal-entendidos. Uma vez tomada a decisão de viverem todos juntos, é importante que o novo casal se sente para conversar, definindo o papel de cada um, o exercício da autoridade e do poder, as regras, as tarefas, os limites a respeitar do espaço individual. Principalmente, como agir em matérias susceptíveis de serem fonte de desentendimentos — oportunidade que os mais novos geralmente aproveitam para “dividir para reinar” e obter coisas que de outra forma não teriam. Idealmente, e em sintonia com as idades das crianças, deveríamos ser capazes de dialogar com elas e torná-las parte integrante deste processo.
Devemos deixar sempre claro para o outro o lugar que as crianças ocupam na sua vida e o quanto são importantes para si. Se o novo companheiro também tiver filhos, entenderá do que estamos a falar. Mas terá igualmente necessidades, inquietações e expectativas relativamente aos seus próprios filhos. Um processo de negociação intensa torna-se quase obrigatório, nomeadamente enquanto predomina o encantamento do enamoramento, que poderá facilitar a conversa destes assuntos.
Conquista afectiva. Ser tolerante perante uma situação que é nova para todos, onde ainda se ensaiam papéis e é natural que o outro não seja perfeito, pode ser meio caminho andado para o sucesso. Para isso temos de esquecer a tendência generalizada entre muitos casais de fazer comparações com o “ex”, porque, apesar de desempenhar funções parentais, o novo companheiro não é, de facto, o pai ou a mãe das crianças.
A madrasta má e o vilão também têm medos. O grande medo é ser considerado como um intruso que será rejeitado. Como tornar-se, então, parte integrante da família? E se a criança não o aceita? Qual o impacto que isto vai ter na relação de casal? Estas inquietações contribuem para uma atitude hipervigilante, que, por sua vez, pode condicionar condutas muito reactivas em resposta a comportamentos infantis de oposição ou hostilidade. Estes comportamentos da criança são de esperar em qual¬quer família — ainda mais numa estrutura familiar em mudança, na qual a criança ainda se sente insegura e até ameaçada — e podem ser interpretados numa perspectiva catastrófica em que é certo que “o miúdo vai-me odiar para sempre!”. Provavelmente a criança está apenas a testar limites, ou a tentar perceber o que fazer com este tipo que, quer ela, quer eventualmente outros adultos significativos no seu universo socioafectivo, responsabilizam por tomar o lugar do pai.
Conquistar estas crianças a qual¬quer preço não é uma boa estratégia. A sedução “em esforço” não consegue ser sustentada por mui¬to tempo e das duas, uma: a criança sente-a como falsa e rejeita-a ou torna-se manipuladora em resposta à sua própria tentativa de manipulação. Se encararmos logo à partida a relação com naturalidade e com respeito, respeito por nós próprios, pela criança e pelos sentimentos que necessitam de tempo para amadurecer, então esta¬remos a lançar as bases saudáveis para um bom relacionamento.
Direito de errar. O encontro dos sentimentos de medo da criança com as ansiedades e receios dos adultos tem que ser gerido pelo adulto. Somos nós que temos a capacidade de reflexão objectiva, que somos capazes de descentrar das nossas emoções, de sermos tolerantes e de transmitir segurança, de agir reflectidamente, com bom senso, ajustando as nossas expectativas e desejos às limitações e exigências da realidade, de auto-regular o nosso comportamento e, finalmente, exercer o poder. E como tudo isto não é fácil, temos também direito às fragilidades que habitam em to¬dos nós e temos direito a errar! Não podemos é esperar que seja a criança a ter uma atitude característica de um adulto, mesmo que estejamos a falar de adolescentes.
O papel do pai ou mãe é funda¬mental para criar harmonia na nova família. São o seu comportamento e as suas atitudes que vão fornecer pistas às crianças do lugar do novo elemento na família, da sua importância, do que é e não é permitido. E é do diálogo entre o casal que nas¬cem soluções criativas para as dificuldades que forem surgindo. O grande truque talvez se¬ja transformar potenciais conflitos e agressões em problemas que necessitam de resoluções concretas. Porque este é o seu projecto e é pelo casal que a família existe.

Bebés. Levar um bebé para casa do novo companheiro é uma situação que desencadeia medos profundos, tanto mais graves se estiverem associados a separações conflituosas. Sentimentos de perda, rejeição e ciúme relativos à ruptura do casal podem ser projectados nos filhos e no acto de os cuidar e partilhar.
A frustração ou sentimentos de impotência e abandono, comuns nas primeiras etapas do luto da relação, geram a necessidade de agredir aquele que “traiu” o projecto de vida a dois. Esta necessidade leva a que se “instrumentalizem” as crianças e que se façam muitas asneiras. Uma das tentações mais irresistíveis costuma ser criar aversão ao “rival” e ao novo lar. Ou enfatizar o distanciamento do outro pai como uma troca, um abandono, salientado as desvantagens de estar no “outro lado”.
Este tipo de estratégia tem normalmente dois resultados: a curto prazo a criança parece aderir e há uma recusa em estar com a “concorrência”; ou, a médio/longo prazo, se a postura do “outro lado” for de tolerância e amor, o feitiço vira¬-se contra o feiticeiro. Há perda de relação e desvalorização de quem implementou esta estratégia. Entretanto, muito provavelmente, viveram-se momentos dolorosos, alimentaram-se conflitos, criou-se desarmonia e sofrimento, pois atiçou-se o lume do caldeirão dos medos, dos adultos e crianças.
Contudo, devemos lembrar que ninguém pode ocupar o seu lugar no coração do nosso bebé, sermos o seu porto de abrigo. Ajudá-lo a enfrentar estes per-cursos com tranquilidade, não o sujeitando à violência das escolhas impossíveis, é fundamental, pois ele ama e necessita dos dois, mesmo que os dois já não sejam um.
Medos. Para neutralizar a angústia de não o termos sob a nossa asa protectora, devêmo-nos  lembrar de que quando escolhemos ou aceitámos ter um filho com aquele companheiro, com o qual podemos estar mui¬to zangados, demos-lhe um voto de confiança como pai/mãe. Devêmo-nos lembrar que o outro tem recursos que lhe permitiram tratar do filho conjunto, e este precisa muito de estar com o pai/mãe em condições naturais, em paz.
Nos pais que deixaram de viver com as crianças a tempo inteiro costuma observar-se uma tendência para espaçar os momentos de convívio com elas. Parece uma reacção paradoxal, pois estamos a falar de pessoas responsáveis e amantes dos seus filhos. Mais uma vez, o medo tem um papel dominante na origem deste comportamento. O medo de não sermos competentes neste novo cenário, o medo da per¬da de afecto, o medo da dor no momento da separação acciona mecanismos de defesa psicológicos, dos quais fazem parte a fuga. Ainda que fugindo ao confronto directo com a situação, o medo não desaparece, continua lá, como que adormecido. De facto, conseguimos uma espécie de “alívio” imediato, mas a escassez de convívio continuado com os filhos acaba por trazer mais sofrimento e perda para nós e para eles.
O contacto com as nossas crianças tem um efeito psicologicamente equilibrador. Ao vencer as primeiras etapas mais difíceis, a criança reafirmará o afecto e a necessidade que tem de nós, confirmando o que sempre soubemos: que, para ela, nós somos insubstituíveis.

Dicas para os pais:
• Devemos ser previsíveis. Devemos evitar a todo o custo faltar aos encontros prometidos. Por, vezes as expectativas criadas são muito elevadas porque o pai ou a mãe vão estar presentes e os filhos precisam de saber que podem continuar a contar com os pais
• Se não pudermos de todo comparecer ao encontro devemos telefonar e explicar-lhe directamente a razão. Mas estas devem ser situações de excepção. É também importante deixar claro quando vai acontecer o próximo encontro.
• Sempre que se despedirem, devemos referir “até sexta-feira!”, para que a criança tenha uma referência concreta
• Utilizar linguagem positiva leva-nos no reencontro, em vez de nos mostrarmos tristes porque tivemos muitas saudades da criança, transmitir-lhe a alegria que sentimos por estarem juntos
• O importante é interagir naturalmente. Não é preciso estar continuamente a fazer programas fantásticos, que muitas vezes obrigam a esforços financeiros e psicológicos que “contaminam” os estados de espírito, deixando-nos ansiosos e criando na criança o sentimento de que tem que se divertir.
Usufruam do momento!

Catarina Mexia – Psicóloga e Psicoterapeuta

Perda ou Transformação?

Na minha prática clínica tenho-me deparado com uma grande dificuldade dos meus pacientes em expressarem desacordo, mágoa, ressentimento, ou agirem de formas contrárias àquilo que sentem que são as expectativas ou desejos de outros significativos.
Ao explorar o que é que receiam que aconteça se se expressarem de forma congruente com o que estão a sentir, surge frequentemente o medo de perder o outro, que o outro não suporte a crítica ou o desacordo e que haja uma ruptura na relação.
Um trabalho útil com estes pacientes é treinar a assertividade, explorando formas de nos afirmarmos perante estes outros significativos de uma forma cuidadosa que melindre o outro o menos possível; mas a realidade é que estes pacientes não deixam de ter algum fundamento no seu receio, frequentemente os primeiros movimentos de auto-afirmação são de facto mal recebidos do outro lado.

A reflexão que vos venho propor é até que ponto é que esta reacção menos positiva do outro implica necessariamente perda ou, pelo contrário, potencia transformação da relação.
Não sejamos utópicos, se introduzo uma dinâmica nova na relação (por exemplo expressar mágoa por a minha opinião não ter sido levada em conta numa decisão com implicações para os dois), não posso esperar que o outro mantenha a mesma postura, ele terá que digerir a novidade e precisaremos os dois de um período de ajustamento à nova dinâmica, ou de um período de negociação de uma terceira dinâmica, construída em conjunto, que responda de forma mais equilibrada às necessidades de ambos. Ou seja, preciso dar espaço ao outro para que ele me devolva o ponto de vista dele sobre a situação que desencadeou o problema, como é que ele lida com esta mudança no sistema que eu estou a propor, e que condições é que ele precisaria ter satisfeitas para conseguir de forma mais tranquila responder à minha necessidade (por exemplo, o outro poderia devolver que não se tinha apercebido que eu tinha uma opinião diferente, mas que de facto era importante para ele que eu estivesse confortável com a decisão e precisaria por isso que eu passasse a expressar as minhas opiniões com mais clareza para ele perceber que há ali uma opinião contrária que precisa ser levada em conta).

E pensarão: “mas comigo isto não funciona assim, o outro não vai reagir tão bem”. Talvez tenham razão, é provável que a primeira reacção seja de defesa e de desagrado pelo comentário, mas lá está o tal período de ajustamento e de negociação, em que o treino de assertividade referido inicialmente tem um papel importante no mantermo-nos afirmativos das nossas necessidades e direitos por um lado, e ao mesmo tempo abertos a perceber o ponto de vista do outro, que elementos é que estão a dificultar a compreensão da mensagem de ambos os lados, e como é que podemos atingir um equilíbrio entre aquilo de que cada um não abre mão e no que estamos disponíveis para ceder.

Joana Fojo Ferreira – Psicóloga e Psicoterapeuta

Reforma, um Novo Rumo

Reforma, um Novo Rumo

«O tempo pergunta ao tempo, quanto tempo o tempo tem. O tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem»

Trava-línguas, ladainha popular

Com o aumento da esperança de vida, os anos após a reforma, podem ser o tempo com que sempre sonhou, o tempo em que tem tempo, o tempo em que se pode dedicar a alguma coisa que, até agora, nunca teve oportunidade, enfim, um tempo de seguir um novo rumo.

Contudo, este tempo pode também representar um tempo em que pensa que já não está a viver, está apenas à espera de morrer, pode ser um tempo armadilhado, em vez dum oásis que se concretiza. Cabe-nos tomar disso consciência e não cair nessa armadilha.

É necessário fazer planos para esta nova fase da vida. Até mesmo, o plano de não planear durante uns tempos. Esta é uma fase que se, por um lado, lhe pode trazer algumas dificuldades, sobretudo, à medida que a idade vai avançando, por outro lado também trás a sabedoria dos anos e uma nova forma de olhar a vida, cheia de experiência que só pode ser útil e permitirá proporcionar tranquilidade e pacificação.

No início da reforma há, geralmente, uma grande sensação de alívio. Acabaram-se correrias, horários, tarefas, quantas vezes aborrecidas e, finalmente, há tempo, o tal tempo com que sonhava… Mas, por vezes, após esta sensação de alívio, de leveza, de contentamento e também de descanso, pode surgir o desencanto, alguma tristeza, e uma sensação de vazio. Nessa altura precisa de se reorientar, precisa de traçar o seu novo caminho, podendo continuar a dar o seu contributo de novas formas. E, talvez precise de ajuda psicoterapeutica para ajudar a processar alguns pensamentos contraditórios e emoções que se apoderam de si sem saber donde vêm, porque cá estão, e o que lhes há-de fazer. Quantas vezes são sensações e pensamentos já seus conhecidos, mas que nunca tiveram grande oportunidade de ser verdadeiramente escutados, vividos, analisados. Quem sabe, talvez seja agora a oportunidade de conseguir olhar a sua vida como um todo coerente, o que lhe permitirá escolher melhor os passos a dar no tempo que ainda tem para viver. Certamente, não será uma solução agradável apenas sobreviver de uma forma revoltada amargurada ou resignada. A aceitação do envelhecimento e da morte como fim inevitável, é fundamental para se aceitar a vida e vivê-la por inteiro com menor sofrimento.

Após a reforma, sabemos o quanto é fundamental mantermo-nos activos. Exercício físico, cuidados com a alimentação, com a hidratação, talvez redobrados, e a ocupação da mente em actividades que nos façam sentir realizados são essenciais.

A qualidade de vida que conseguimos perceber na nossa própria vida é dos factores mais importantes para a satisfação com que vivemos os anos que temos pela frente. E, se nem tudo depende de nós, a verdade é que é da parte que depende que temos de cuidar para melhor decidir.

A forma como olhamos a reforma, o modo como olhamos a doença, as dificuldades que vão surgindo, as dores, as perdas que vamos contabilizando, amigos e familiares que desaparecem para sempre e que nos fazem pensar na nossa própria morte, tudo isto nos atinge e tem de ser vivido, mas pode e deve ser encarado como inerente à própria vida e como uma oportunidade de nos adaptarmos, percebendo o que pode ser ultrapassado ou recuperado e o que não pode. É possível aprender a conviver em harmonia com a realidade e encontrar formas satisfatórias de a viver. É possível e recomendável envolvermo-nos em projectos que nos façam sentir bem.

Ao longo das nossas vidas vamos tentando encontrar sentido em tudo o que fazemos e em tudo o que nos acontece. Chegados a uma idade avançada, esta ideia de relembrar o passado para melhor podermos viver, compreender e aceitar o presente torna-se, cada vez mais, uma forma de estarmos bem connosco e com os que nos rodeiam.

Recordar, passear, conversar, conviver, pensar, escrever, partilhar, usufruir, colaborar, ouvir música, repousar, fazer algo que nos dá prazer, que nos faz sentir bem e viver com tranquilidade, é o caminho para sentirmos que, se é certo que a morte é certa, também é certo que enquanto estamos vivos, podemos ir construindo o nosso bem-estar por cá.

Cristina Marreiros da Cunha – Psicóloga e Psicoterapeuta

Inspire, Expire… e, Relaxe!

relax

Todas as pessoas experienciam nas suas vidas pelo menos de forma ocasional, algum grau de ansiedade. Ora, isto não é necessariamente negativo pois a ansiedade desempenha uma função importante protegendo o organismo do perigo. Em situações de ameaça são os diferentes componentes da resposta de ansiedade (aumento dos ritmos cardíaco e respiratório, aumento da tensão muscular, estado de alerta) que permitem ao indivíduo estar preparado para a acção (ataque ou fuga).
O problema coloca-se quando a pessoa experiencia níveis de ansiedade desproporcionais face à ameaça real do quotidiano (estar demasiado ansioso e durante demasiado tempo), acabando por prejudicar mais a acção, do que preparar a pessoa para a mesma.
Nestes casos, torna-se fundamental tentar reduzir a ansiedade. Como poderemos fazê-lo? Através da capacidade de relaxar…
Relaxar é uma capacidade como outra qualquer, que cada pessoa pode adquirir de forma mais ou menos autónoma. Para isso, basta aprender um conjunto de procedimentos e praticá-los de forma regular, com alguma paciência e aguardar os resultados, que irão surgir de forma gradual.
Existem várias técnicas de relaxamento, mas em seguida, abordar-se-ão especificamente a Respiração Diafragmática e o Relaxamento Muscular Progressivo, ambas relativamente simples e eficazes, que quando combinadas potenciam a obtenção do estado de relaxamento pretendido. Através da sua prática o indivíduo pode num curto espaço de segundos/minutos alcançar um elevado estado de relaxamento, a inserir/incorporar posteriormente na vida quotidiana e nos momentos de maior stresse, reduzindo os níveis de ansiedade.

Respiração Diafragmática
Também conhecida por respiração abdominal, possibilita respirar usando toda a capacidade dos pulmões e uma maior utilização do diafragma e da cavidade abdominal, permitindo receber cerca de 7 vezes mais oxigénio.

Como Fazer?
Sentado ou deitado, numa posição confortável.

1. Colocar uma mão na barriga logo acima do umbigo e outra no peito;
2. Tentar inspirar lenta e profundamente, dirigindo o ar para a parte inferior do abdómen, “fazendo” da barriga um “balão”, expandindo-se, como se estivesse a “empurrar” o estômago para fora (quando inspirar a barriga “vai para fora”, semelhante ao movimento de cheirar uma flor). A mão que está na barriga irá subir e descer, e a mão no peito deve mover-se muito pouco.
3. Diga a palavra “relaxar” interior e silenciosamente antes da expiração;
4. Expire lentamente, deixando que o estômago se contraia (quando expirar, a barriga “vai para dentro”, semelhante ao movimento de soprar uma vela);
5. A expiração deve ser feita de forma gradual e demorar, aproximadamente, o dobro do tempo da inspiração. Por exemplo, se a inspiração for 4 segundos, a expiração deve ir até aos 8 segundos, mas no início nem sempre a pessoa consegue alcançar este tempo, devendo-se começar com valores que sejam confortáveis e que possam ser gradualmente crescentes;
6. Repita estes procedimentos de forma completa, 10 vezes consecutivas, com ênfase na respiração lenta a profunda.
Deve praticar pelo menos 2 vezes por dia, 5 ou 6 minutos de cada vez. O tempo para o domínio da técnica é de 1 a 2 semanas com prática diária.

Relaxamento Muscular Progressivo
O treino de relaxamento muscular progressivo procura ensinar a contrair e descontrair vários grupos de músculos em todo o corpo, tendo especial atenção às sensações que acompanham os estados de tensão e o relaxamento e aos contrastes das mesmas.

Indicações Gerais:
• a tensão produzida deve corresponder a ¾ da tensão potencial (não é necessário nem aconselhável produzir toda a tensão possível);
• é fundamental libertar a tensão imediatamente após a auto-instrução para o fazer, mas de forma rápida e total;
• é importante que cada grupo muscular fique tão descontraído como os restantes;
• depois de relaxado um grupo muscular não deverá voltar a produzir tensão nesse grupo, sendo que durante o treino, o movimento deve ser apenas o estritamente necessário;
• tentar não pensar em nada, excepto nas sensações produzidas e essencialmente desfrutar de sensações agradáveis que acompanhem o relaxamento.

Como Fazer?
Sentado numa cadeira (de preferência reclinável), o mais confortavelmente possível, com ambos os pés no chão e as mãos a descansar no colo. O treino deverá ser feito num local em que a intensidade da luz e o ruído sejam reduzidos e num período de tempo livre de interrupções e distracções. Convém fechar os olhos e mantê-los fechados durante o treino. Os grupos musculares a ter em conta são os seguintes:

1ª Fase: 16 Grupos Musculares
1. Mão e antebraço direitos
2. Braço direito
3. Mão e antebraço esquerdos
4. Braço esquerdo
5. Testa e parte superior da face
6. Parte central da face
7. Parte inferior da face
8. Pescoço
9. Peito, ombros e parte superior das costas
10. Abdómen
11. Coxa direita
12. Barriga da perna direita
13. Pé direito
14. Coxa esquerda
15. Barriga da perna esquerda
16. Pé esquerdo

2ª Fase: 7 Grupos Musculares
1. Mão e antebraço direitos + Braço direito
2. Mão e antebraço esquerdos + Braço esquerdo
3. Testa e parte superior da face + Parte central da face + Parte inferior da face
4. Pescoço
5. Peito, ombros e parte superior das costas + Abdómen
6. Coxa direita + Barriga da perna direita + Pé direito
7. Coxa esquerda + Barriga da perna esquerda + Pé esquerdo

3ª Fase: 4 Grupos Musculares
1. Mão e antebraço direitos + Braço direito + Mão e antebraço esquerdos + Braço esquerdo
2. Testa e parte superior da face + Parte central da face + parte inferior da face + Pescoço
3. Peito, ombros e parte superior das costas + Abdómen
4. Coxa direita + Barriga da perna direita + Pé direito + Coxa esquerda + Barriga da perna esquerda + Pé esquerdo

1. Comece por utilizar os 16 grupos musculares referidos na 1ª Fase e para cada um dos grupos, produza tensão durante 10 segundos e depois relaxe durante 40 segundos. Interiorize e utilize as seguintes formas de produção de tensão e relaxamento:
Mão e antebraço direito: contrair os músculos, fechando fortemente o punho e mantendo o braço direito. Sinta a tensão na mão, nos nós dos dedos, nas articulações do punho e nos músculos do antebraço (10 seg.). Repare no contraste entre a tensão e o relaxamento (20 seg.).
Braço direito: contrair os músculos, empurrando o cotovelo contra o braço da cadeira ou empurrando o cotovelo para baixo e para dentro contra o corpo. Sinta a tensão no braço (10 seg.). Relaxe. Repare no contraste entre tensão e relaxamento (20 seg.).
Mão e antebraço esquerdo: contrair e descontrair os músculos utilizando o procedimento descrito para o do lado direito.
Braço esquerdo: contrair os músculos utilizando o procedimento descrito para o do lado direito.
Parte superior da face (testa): contrair os músculos, levantando as sobrancelhas o mais possível e franzindo a testa. Sinta a tensão na testa e no centro do couro cabeludo (10 seg.). Relaxe. Repare no contraste entre a tensão e o relaxamento (20 seg.).
Parte central da face (parte superior das bochechas e nariz): contrair os músculos, fechando fortemente os olhos e franzindo o nariz, levantando-o. Sinta a tensão em redor dos olhos, no nariz e no alto das bochechas (10 seg.). Repare no contraste entre a tensão e o relaxamento (20 seg.).
Parte inferior da face (parte inferior das bochechas, boca e queixo): contrair os músculos, fechando fortemente os dentes e empurrando os cantos da boa para trás, como se quisesse sorrir exageradamente (10 seg.). Sinta a tensão à volta dos maxilares e do queixo. Relaxe. Repare no contraste entre a tensão e o relaxamento (20 seg.).
Pescoço: contrair os músculos, empurrando fortemente o queixo para baixo, contra o peito, sem tocar neste ou empurrando a cabeça para trás, contra a cadeira. Sinta a tensão no pescoço (10 seg.). Relaxe. Repare no contraste entre a tensão e o relaxamento (20 seg.).
Peito, ombros e parte superior das costas: contrair os músculos, inspirando profundamente, guardando o ar dentro dos pulmões e empurrando os ombros e as omoplatas para trás (como se quisesse tocar com um ombro no outro). Sinta a tensão no peito, ombros e costas (10 seg.). Relaxe. Repare no contraste entre a tensão e o relaxamento (20 seg.).
Abdómen: contrair os músculos, encolhendo fortemente o estômago (como que para evitar um soco). Sinta o estômago tenso e apertado (10 seg.). Relaxe. Repare no contraste entre a tensão e o relaxamento (20 seg.).
Coxa direita: contrair os músculos, encolhendo fortemente a nádega direita (como que para “fugir com o rabo à seringa”) e contraindo os músculos da parte superior da perna. Sinta a tensão na nádega e na coxa (10 seg. ). Relaxe. Repare no contraste entre a tensão e o relaxamento (20 seg.).
Parte inferior da perna direita: contrair os músculos, empurrando fortemente os dedos do pé para cima, em direcção à cabeça/na direcção oposta à cabeça. Sinta a tensão na barriga da perna (10 seg.). Relaxe. Repare no contraste entre a tensão e o relaxamento (20 seg.).
Pé direito: contrair os músculos, voltando o pé para dentro e, simultaneamente, dobrando os dedos (sem fazer muita força). Sinta a tensão na palma do pé (10 seg.). Relaxe. Repare no contraste entre a tensão e o relaxamento (20 seg.).
Coxa esquerda: contrair e descontrair os músculos, utilizando o procedimento descrito para o do lado direito.
Parte inferior da perna esquerda: contrair e descontrair os músculos, utilizando o procedimento descrito para o do lado direito.
Pé esquerdo: contrair e descontrair os músculos, utilizando o procedimento descrito para o do lado direito.

2. Quando sentir que o procedimento dos 16 grupos musculares já se encontra satisfatoriamente interiorizado (nunca antes de uma semana de treino) deverá prosseguir para a 2ª Fase, onde, para cada um dos 7 grupos musculares deverá produzir tensão durante 10 segundos e relaxar durante 40 segundos, utilizando as formas de tensão e relaxamento anteriormente descritas.

3. Quando a 2ª fase estiver satisfatoriamente interiorizada pode prosseguir para a 3ª Fase, onde para cada um dos 4 grupos musculares deverá produzir tensão durante 10 segundos e relaxar durante 40 segundos, utilizando as formas de tensão e relaxamento anteriormente descritas.

De forma a poder maximizar os benefícios destas técnicas de relaxamento, pode praticá-las num lugar e espaço confortáveis, com uma música escolhida por si, que lhe transmita calma e tranquilidade. Pode igualmente pensar em alguma imagem (praia, som do mar, sensação dos “pés na areia”, rio, montanha, sons da natureza, paisagem, pessoa, local, casa, ambiente, voz, mensagem, etc), que considere que lhe possa trazer relaxamento e associá-la a estes momentos de prática das técnicas.
O objectivo final de qualquer uma destas técnicas de relaxamento é que possam ser aplicadas de forma rápida, espontânea e sem custos (depois de praticadas, para que se tornem automáticas), mesmo num local ou momento público, quando necessário, numa situação de maior ansiedade.

Drª Teresa Santos – Psicoterapeuta

Histórias de (in)verosimilhança: O maior cego é mesmo aquele que não quer ver?

A Anormalidade já não é o que era – II

Histórias de (in)verosimilhança: O maior cego é mesmo aquele que não quer ver?

A reflexão de hoje surge após ter lido a seguinte notícia publicada em Outubro passado (ver links abaixo):

Concretizou sonho de se tornar cega

Woman who dreamed about being blind had DRAIN CLEANER poured in her eyes by a sympathetic psychologist to fulfil her lifelong wish – and now she’s never been happier

eye

Será que é “normal” o que para quase todos os seres humanos é absolutamente incompreensível?

Um dos aspectos que torna a experiência humana compreensível à generalidade dos seres humanos é a verosimilhança.

É fácil de empatizar com alguém que acabou de ter uma experiência de luto, com alguém que desenvolve uma ansiedade fóbica à condução após um acidente de viação, com alguém que faz um surto psicótico após uma situação de stress intenso ou mesmo com um anti-social que viveu a infância num ambiente desestruturado e violento.

É a verosimilhança destas experiências que nos permite empatizar com as pessoas que as vivenciaram.

Mas como “calçar os sapatos” de alguém de deseja cegar para encontrar conforto?

Como empatizar com o inverosímil?

O que seria mais adequado fazer face a este desejo de cegar?

Tentar convencer esta pessoa que o seu desejo de se privar da visão é uma anormalidade que precisa de tratamento?

Mesmo que todo o seu ser vibre de dor enquanto não for efectivamente privada de ver?

E quem define este desejo de privação como uma anormalidade?

Não conseguindo “calçar os sapatos de quem deseja cegar” conseguiremos empatizar com a dor de quem sofre por conseguir ver (a ponto de desejar cegar)?

Durante muitos anos a homossexualidade era considerada uma doença, um desvio aberrante, e hoje aberrante é aquele que discrimina pela orientação sexual.

Para podermos evoluir, acabámos por nos focar na verosimilhança da dor que advinha da discriminação, incompreensão e indiferença.

Será que foi também esse o foco do terapeuta neste caso?

Qual a (in)verosimilhança que se segue? A eutanásia activa? O suicídio assistido?

De facto, este tema deixou-me com mais interrogações que respostas e não creio sequer que caiba apenas à Medicina ou à Psicologia a resposta a estas perguntas.

Mas fica a inquietação (provocatória):

Se você fosse o terapeuta, como decidiria?

João Parente – Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta

Monólogos perigosos

Monólogos Perigosos

Escrevo estas linhas numa das minhas primeiras viagens de trabalho a solo. Estou em terras de sua majestade, treinando outros colegas terapeutas. O projecto PSITALK em versão internacional!

A vontade de vir era escassa. No entanto, não tinha grande oportunidade de recusar. Assim, optei por tentar aproveitar este momento. Muitas vezes falta-nos esta capacidade de pegar numa contrariedade e desafiá-la. Então, pensei no que poderia reflectir sobre eventuais implicações terapêuticas de situações similares a esta minha reclusão semi-involuntaria. Que melhor inspiração poderia eu ter para pensar do que uma situação real?
Pus-me então a tentar perceber o que estava a toldar negativamente o meu estado emocional. O que tornava esta estadia tão desconfortável para mim, neste momento? Apercebi-me que estava receosa de que algo não corresse bem com a formação. Que havia receios por detrás desta simples vontade de não aproveitar a oportunidade.

Comecei a recordar-me de quantas vezes ouvimos na psicoterapia medos como “E se eu não sou capaz?”, “E se não me consigo orientar com X, Y, Z?”, “E se …”, “E se…”?
Note-se que estes “e se” são, regra geral, algo catastróficos e, subjacente a estas infindáveis questões, vem uma correspondente, mas quase imperceptível, vaga de afirmações negativas sobre si próprio, “Não vou ser capaz”, “Não consigo ligar com X, Y, Z”.
Passamos portanto das perguntas, das interrogações, para uma simples, velada, mas implacável, negação das nossas capacidades. Já não se trata de imaginar se seremos competentes ou não, aqui nem damos hipótese de refutação, argumentação ou contraposição.

Alem disso, somos mais duros e exigentes connosco do que habitualmente seríamos com qualquer outra pessoa, familiar, amigo ou colega.
Embora a psicologia social nos demonstre que tendemos a perspectivar o nosso mundo interior como mais rico e fenomenologicamente mais complexo do que o do outro, isso não quer de todo dizer que somos mais magnânimos connosco, muito pelo contrário.
Assim, somos capazes de nos dizer coisas que acharíamos extremamente rude e exagerado dizer a outras pessoas, ou que não gostaríamos certamente que outras pessoas nos dissessem.
Acompanho uma mulher, culta, introspectiva e cuja frase de toque é: “claro que isto me acontece, eu sou pró em falhar!”. Pedi-lhe, certa vez, que de cada vez que houvesse um “ataque destes”, tentasse fazer o exercício de mo dirigir. Assim, quando esta frase saiu, “só faço disparates”, ela teve de me dizer, “Ana, só faz disparates”. Estão a ver o resultado? Conseguem certamente imaginar que foi muito mais difícil, para esta pessoa, dizer mal da terapeuta, mesmo que a seu pedido, do que parar de se auto-sabotar.

Esta questão levanta outras questões interessantes em termos psicoterapeuticos. Qual o nível de diálogo interno em que a pessoa se encontra? Este diálogo vem de onde? de quando? e inicialmente comecou pela voz de quem? Em que momentos se torna esta voz crítica mais ou menos poderosa? E quando se torna demasiado poderosa?
Ocorre que, muitas vezes, esta voz que assumimos como nossa, este monólogo envenenado, não é nossa, foi assimilado pela repetição de padrões, quer familiares, quer de cariz socialmente mais abrangente. Recordo que embora o sentido da audição possa ser o último a perder-se quando o nosso estado de saúde está seriamente comprometido, a primeira coisa que tendemos a esquecer numa pessoa é a voz. E assim, substituímos a voz do outro pela nossa própria voz. Por vezes, com resultados positivos, mas, neste caso, nem tanto assim, já que nos tornamos mensageiros de acutilantes auto-críticas.

Convém, no entanto, perceber que há diálogos internos que podem ser positivos e que não se trata apenas de introjectos sociais, que, em última análise, podem ser vistos como socialmente estruturantes (porque securizam e validam a nossa construcção de valores). Por exemplo, eu dizer-me: “roubar é feio” ou “não se deve roubar” é claramente um introjecto de origem social. Regula a nossa interacção e tem um cariz adaptativo. Seria algo que diríamos a qualquer outra pessoa.
Já eu dizer-me “nunca sou capaz de fazer algo de jeito” é um claríssimo exemplo destes monólogos arriscados. Não há qualquer benefício imediato ou passado neste tipo de diálogo interno, apenas uma culpabilização que não induz a responsabilidade.

Por isso, parece-me útil chamar a atenção para esta dimensão, que por vezes passa mais despercebida em terapia, e que pode afectar tanto o terapeuta como o cliente.
O monólogo interno pode ser, em determinado momento, desconstruído de maneira a poder ser manejável de forma não ameaçadora para o próprio. Pode ser útil convidar a pessoa a reflectir sobre o sentido que essa afirmação, essa perspectiva de obrigação de ser melhor, lhe faz num determinado contexto.

Mas antes de tudo isso, o cliente é convidado a ganhar consciência deste monólogo. Na verdade, passamos tanto tempo em piloto automático que esta tarefa de ganhar consciência se torna, ela mesma, uma autêntica demanda quimérica. Só depois podemos ensaiar a descoberta de outras vozes, mais cuidadoras e acolhedoras, que o cliente terá dentro de si.

Ana Baptista de Oliveira – Psicóloga e Psicoterapeuta

Psicólogo – bruxo ou vidente?

Pscólogo-bruxo ou vidente?

Não é raro, o psicólogo ser visto como um bruxo ou um vidente. No fim de contas, o psicólogo estuda os comportamentos das pessoas e mais facilmente pode prever de forma mais segura as consequências desses comportamentos em geral. No entanto, este conhecimento não quer dizer que seja um adivinho.
A psicologia faz parte do domínio da ciência humana desde século XIX. Como o nome indica, refere-se a ciência porque o conhecimento é adquirido através de estudos e de pesquisas que utilizam uma metodologia científica.
Deste modo, o psicólogo é formado para extrair da investigação, conclusões que orientam a sua prática profissional usando os melhores dados disponíveis. A isto chama-se: prática baseada em evidências.
O psicólogo estuda a forma de pensar, de sentir e de se comportar de um ponto vista científico e aplica estes conhecimentos para ajudar as pessoas a compreender, integrar, e modificar o seu comportamento.
Este conhecimento ajuda a antever as consequências dos comportamentos, mas não prevê o que quer que seja. Portanto, não se passa nada que possa ser visto como bruxaria ou com a utilização de uma bola de cristal que advinha o futuro e os factos escondidos do presente.

Afinal o que se passa numa sessão com um psicólogo, não sendo ele/ela um Adivinho?

Uma sessão de psicoterapia é um espaço privado e confidencial. Existem vários princípios específicos definidos pelo Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses, que dizem respeito à privacidade, confidencialidade, limites, utilização de registos, etc, que os psicólogos estão obrigados a seguir e partilhar com o paciente.
Neste espaço procura-se desenvolver um bom estabelecimento de relação entre o psicólogo e o cliente. Assim, a pessoa sentir-se-á suficientemente à vontade para exprimir o que mais a perturba e o que mais a faz ter uma vida, que até pode estar a ser disfuncional.
É também muito comum considerar a pessoa que vai ao psicólogo como uma pessoa maluca ou não normal.
”Maluco”- é definida pelo dicionário da Língua portuguesa (Porto Editora, 1998) como: ”um homem destituído de juízo, doido, idiota”. Ora, será que quem o é sempre, recorre ao psicólogo? Sabemos que quase nunca, ou apenas compulsivamente. E quem não o é, será que nunca sentiu um pouquito de tudo isso às vezes? Quem é sempre e totalmente normal? O que é ser uma pessoa normal?
Normal é ser conforme à norma ou à regra. Alguém estar normal significa essencialmente estar na média. Logo, torna-se relativo porque alguém pode considerar normal algo que para outro é visto como completamente não normal.
Os investigadores, Daniel Offer e Melvin Sabshin, definiram quatro tipos de normalidade: saúde, utopia, média e processo.
A normalidade na saúde é, para certos investigadores, definida como: A não existência ou presença manifesta de patologia. Ficando assim dividida a normalidade versus a patologia. Esta abordagem conceptual possui vantagens porque a doença é mais fácil de medir do que os estados positivos de saúde.
A normalidade como utopia refere-se ao critério de sucesso de um tratamento, esta aproximação é polémica entre as diferentes linhas terapêuticas.
A perspectiva da normalidade como média baseia-se no princípio matemático da curva em forma de sino, aplicado nos estudos do comportamento, tanto para a psicologia como para a física e a sociologia.
A visão da normalidade como processo corresponde à evolução temporal da pessoa, tendo em conta a sua maturidade ou etapas de vida, quase como se a patologia fizesse parte do quotidiano.
Estes tipos diferentes de normalidade apontam para quanto é difícil definir o conceito de normalidade.

Comemorou-se no dia 10 de Outubro, o dia mundial da Saúde Mental. Neste ano de 2015, a Ordem dos Psicólogos Portuguesa apontou para a questão da discriminação e estigma social ainda existentes que afecta 75% das pessoas com problemas de Saúde psicológica. Alertou ainda a respeito do auto-estigma que atinge quase todos estes indivíduos. O auto-estigma é o processo que a própria pessoa desenvolve nestas circunstâncias, sentindo vergonha, evitando outras pessoas, perdendo a credibilidade nas suas capacidades, sobretudo quando acreditam nos comentários desqualificadores dos outros
O lema da Ordem foi o seguinte:
«Os problemas de Saúde Psicológica não definem quem somos ou o que podemos fazer. Não são a nossa vida. Não são a nossa história. Apenas parte dela. Como outros problemas, têm solução. Não tenha medo de falar. Procure ajuda. Um Psicólogo pode ajudar».
Quem toma a decisão de fazer uma psicoterapia não é disfuncional nem marginalizada pela sociedade. A pessoa, por vezes, poderá ter apenas um problema existencial, e a psicoterapia vai ajudá-lo a encontrar um sentido para a sua vida. Contudo, a opção por este processo, leva necessariamente a um maior desenvolvimento pessoal.
A maioria das pessoas, que inicia uma psicoterapia, acredita que é da responsabilidade do psicólogo resolver as suas dificuldades, quase como se fosse magia. Ora, a função do psicólogo é a de ajudar a pessoa a encontrar a sua própria solução e caminho.
Aquele que toma a decisão de trabalhar sobre si-mesmo, é aquele que procura interrogar-se sobre a forma como viver melhor a sua vida. A partir desse momento, irá estar mais atento a si, e a como os acontecimentos que o rodeiam, o afectam ou não.

Segundo o padre jesuíta psicólogo e psicoterapeuta, Anthony de Mello, existe um caminho para sair do sofrimento que é do desapego pela consciencialização do discernimento. Sair deste sofrimento é descobrir o que o provoca, ou seja, é o tomar consciência dos apegos. No seu livro “Awareness” (consciência) de 1990 escreve que se a pessoa estiver pronta a escutar, e a pôr-se em questão, observando-se, será esse então o caminho do despertar.
Sendo um acto essencialmente espiritual aplica-se também à psicologia pela tomada de consciência. O desapego, não significa apatia nem frieza para com as coisas, mas apenas algum distanciamento para permitir uma tomada de consciência activa que emana uma força para a acção. O discernimento é o acordar do coração, acto de ver, compreender e experienciar.
Bom Desenvolvimento Pessoal.

Magali Stobbaerts – Psicoterapeuta e professora de Yoga