E se em vez de sair da sua zona de conforto a aumentar?

Espalhou-se pela internet, há uns tempos atrás, esta imagem alusiva à distância entre a nossa zona de conforto e a zona onde a magia acontece.

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Esta imagem tem alguns problemas: por um lado, dá a ideia de que ou estamos numa zona ou estamos na outra e que há uma distância imensa entre as duas; por outro, não clarifica como é que se passa de uma zona para a outra, passa a ideia de que temos que sair da nossa zona de conforto e dar um salto de confiança para algo absolutamente estranho e desconhecido para que a vida passe a ser como gostávamos que ela fosse; por último, ainda que para os mais aventureiros este salto possa ser estimulante, para o comum dos mortais esta imagem pode trazer uma certa angústia, a sensação de que a distância é demasiado grande e o salto demasiado assustador, nunca conseguirei chegar onde a magia acontece.

Por estes motivos, prefiro esta segunda imagem, mais realista, menos angustiante e mais esclarecedora.

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Nesta imagem compreendemos que para a magia acontecer não temos que sair da nossa zona de conforto e dar um salto no escuro, temos sim que AUMENTAR a nossa zona de conforto para que ela inclua a zona onde a magia acontece.

A mudança não tem que passar por uma transformação radical em que deixamos de ser quem somos para passarmos a ser ou a estar num ponto completamente diferente; mudança pode muito bem ser, e é-o a maioria das vezes, um acumular de pequenos ganhos, de pequenas experiências no limiar da nossa zona de conforto, que se vão tornando seguras, sólidas, e nos permitem gradualmente ir mais além.

Quando voltar a ver a primeira imagem, não se assuste, acrescente-lhe mentalmente círculos maiores de potencial de crescimento, e acredite, através deles, passo a passo, vai chegar exactamente aonde quer.

Joana Fojo Ferreira – Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta

A arte de CONTEMPLAR

PSITALK

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Os “nadas” do quotidiano podem ser o “tudo” no equilíbrio e no bem-estar.

Sintonizarmo-nos com a beleza e riqueza de pequenos momentos da vida é uma habilidade francamente desejável para a nossa harmonia interior. Aquela em que conseguimos focar-nos No Que Está a Acontecer,No Como está a Acontecer e No Como Nos Faz Sentir o Que Está a Acontecer. Falo dos momentos em que utilizamos mais do que um sentido (porque temos 5 disponíveis e só nos focamos apenas em 1 em cada momento) e os convergimos numa experiência única e sensorialmente agradável.

Momentos tão banais como aquele em que saboreamos uma comida/bebida de que gostamos e conseguimos captar o seu cheiro, paladar e textura desde que a olhamos até ao momento em que a colocamos na boca e conseguimos acompanhar, interiormente, a jornada de prazer que vamos sentindo, ao mesmo tempo que percebemos que nos faz ficar…

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A arte de CONTEMPLAR

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Os “nadas” do quotidiano podem ser o “tudo” no equilíbrio e no bem-estar.

Sintonizarmo-nos com a beleza e riqueza de pequenos momentos da vida é uma habilidade francamente desejável para a nossa harmonia interior. Aquela em que conseguimos focar-nos No Que Está a Acontecer, No Como está a Acontecer e No Como Nos Faz Sentir o Que Está a Acontecer. Falo dos momentos em que utilizamos mais do que um sentido (porque temos 5 disponíveis e só nos focamos apenas em 1 em cada momento) e os convergimos numa experiência única e sensorialmente agradável.

Momentos tão banais como aquele em que saboreamos uma comida/bebida de que gostamos e conseguimos captar o seu cheiro, paladar e textura desde que a olhamos até ao momento em que a colocamos na boca e conseguimos acompanhar, interiormente, a jornada de prazer que vamos sentindo, ao mesmo tempo que percebemos que nos faz ficar mais entusiasmados, mais calmos ou que memórias que vão sendo despertadas ao longo daquela jornada. Descrito parece que demora muito tempo mas na realidade é breve… muito breve, e por isso é tão importante conseguir estarmos ATENTOS e PARAR para nos FOCARMOS na oportunidade destes momentos e os agarrarmos ficando depois disponíveis nas memórias de PRAZER do nosso corpo.

Sejam situações mais ou menos intencionais; como olhar para a imensidão do mar e deixar o rosto e o peito serem aquecidos pelos leves raios de sol de Inverno enquanto cheiramos a brisa marítima OU como dar-se conta de que uma música a tocar na rádio, enquanto está parado(a) no trânsito, lhe desperta saudosa alegria que lhe enche o peito e lhe dá uma misteriosa força para iniciar o seu dia de trabalho; parecem estar presentes sementes comuns ao florescimento do que é vivo e prazeroso na vida.

Talvez estas oportunidades de CONTEMPLAÇÃO, em que puxamos algo exterior com todos os nossos sentidos disponíveis e o transformamos numa experiência ímpar, em que o produto final é resumido a BEM-ESTAR, ajudem a criar VITALIDADE interior, aquela que vai e vem directa ao CENTRO de quem nós somos e que nos faz querer ir mais além na vida.

Os bebés são um grande exemplo nesta arte de transformar os “nadas” em “tudos” quando apenas olham para nós com todos os sentidos, como se nos quisessem puxar para dentro deles com toda a sua força ou como se nos enfeitiçassem com a simplicidade com que ficam regalados… é que eles olham o mundo com todo o equipamento sensorial de que dispõem.

A arte da contemplação é um recurso de saúde mental e espiritual, precocemente desenvolvido pelos seres humanos mas tão facilmente esquecido à medida que vamos crescendo em tamanho.

Pratiquemos a CONTEMPLAÇÃO: CONTEMPLE o mundo e CONTEMPLE-SE a si!

Rita dos Santos Duarte – Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta

Stress – Parte II – Estratégias de regulação

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No texto anterior, defini Stress, a sua tipologia e consequências para quem o sofre, nomeadamente, irritabilidade, insónias, dificuldade de concentração, abuso de substâncias, como a cafeína e o álcool, dores de costas, etc.

Proponho agora que responda a algumas questões de forma a avaliar se está a sofrer de stress neste momento:

– Evita, a todo o custo, falar sobre o seu trabalho, ou fala abundantemente sobre ele (ou outro acontecimento stressor)?

– Consegue definir momentos “apenas” para si, cuidando-se?

– Fica ansioso quando recebe emails, SMS ou telefonemas de trabalho?

– Sente-se regularmente sozinho e desamparado?

– Alimenta-se adequadamente ao longo do dia e respeita os seus intervalos para refeição?

–  Sente-se cansado ou tem tido problemas de saúde regularmente, por mais pequenos que lhe pareçam?

– Sente que não pode falhar?

– Tem momentos de prazer na sua profissão? E na sua vida pessoal?

–  Dá por si a “desligar” durante o horário de trabalho?

– Acorda de noite a pensar em trabalho ou noutro stressor, não tendo um sono reparador?

Caso tenha respondido afirmativamente à maioria das questões anteriores, deixo algumas estratégias [1] que poderá adoptar para regulá-lo por forma a que possa viver de uma forma mais equilibrada e consequentemente, com maior bem-estar:

  1. Faça exercício físico;
  2. Faça intervalos;
  3. Evite o consumo de substâncias;
  4. Durma bem;
  5. Foque-se em terminar uma tarefa de cada vez;
  6. Aprenda a falhar;
  7. Use o sentido de humor;
  8. Tenha uma rede social e/ou familiar;
  9. Equilibre expectativas: seja realista, a perfeição não existe;
  10. Aprenda a dizer “Não”;
  11. Defina prioridades;
  12. Recompense-se a si próprio;
  13. Tenha hobbies;
  14. Respire, relaxe, medite …

A propósito do último ponto partilho o link de um vídeo sobre a importância da respiração e dicas de como a integrar no seu quotidiano: 8 segundos para stressar menos.

No próximo texto abordarei a meditação, cujos ganhos para o bem-estar e consequente redução do stress estão cientificamente provados.

Comece a praticar uma vida menos stressante. O seu bem-estar agradecer-lhe-á!


[1]    Poderá ver mais estratégias na imagem do post.

Catarina Barra Vaz – Neuropsicóloga, Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta