Sintonize-se com o que gosta e ouça a Sua música!

sintonia

No nosso desenvolvimento o” Não” vem antes do “Sim”. Saber o que não se quer ou se é nem sempre define o que se quer ou se é porque o “Sim” oferece a mais-valia de chegar a algo concreto. Ele é talvez uma sincronia entre aspectos que formam uma verdade.
No movimento do dia-a-dia são poucos os tempos em que nos sentimos verdadeiramente sintonizados. Mas estes são os momentos que reafirmam quem nós somos e, por sinal, os que nos fazem sentir calmos, relaxados, alegres mas sobretudo Vivos e Únicos.
Para praticar a sintonia é preciso estar atento ao que Realmente nos torna congruentes com o que somos, o que envolve alguma beleza e magia dentro de nós.
Faça o seguinte exercício: tente pensar ao final do dia quantas das suas acções queria mesmo ter realizado; se ouviu a música que gosta; se comeu o que lhe apetecia; se dormiu as horas que precisava ou se viveu como quer viver. Sabemos que não vivemos num mundo feito à nossa medida mas temos que encontrar a nossa medida dentro do mundo. A cada vez que fazemos algo que não nos apetece acresce-nos tensão no corpo. E se tivermos isto como prática podemos criar uma sensação de pressa que, frequentemente, achamos vir de uma voz na cabeça mas na realidade vem do centro do corpo: é só o nosso Ser autêntico a dizer “Olha para mim!”, “Ouve-me!”. A pressa é cega porque queremos chegar a um “sítio” que às vezes nem sabemos qual é, apenas que tem como nota principal a insatisfação. Mas então como satisfazer-nos? Sabendo o que precisamos, talvez! Mas para isto e primeiro precisamos ouvir e aceitar o que está lá. Ter atenção ao que aparece, ao que surge, ao que cresce dentro de nós e recebê-lo sem crítica. Dedicar-lhe tempo para o concretizar e quando o fazemos vivemos um momento de harmonia que nos faz sentir muito presentes na experiência, afinal de contas “Soube tão bem!”, “Era mesmo isto que estava a precisar!”. Este instante torna-se muito Real e Verdadeiro e tem o bónus de uma sensação de vivacidade interior; ambas as agulhas (da necessidade e da satisfação) levaram à verdade libertadora, a de quem você É neste momento! Somos feitos destes instantes e esta é a relação mais íntima que podemos ter porque demos atenção e fomos cúmplices do nosso Ser autêntico. Agora já está preparado para iniciar a busca do que precisa dos outros e do mundo, de saber para onde se quer orientar.
Para nos sentirmos satisfatoriamente ligados a alguém ou algo precisamos estar primeiro sintonizados com o que somos. É assim que conseguimos partilhar o que é nosso e receber o que é do outro sem risco de nos perdermos. Isto é a sua música a juntar-se a outra música e a criar uma sinfonia, a do Encontro e se quiser a do Amor!

Rita dos Santos Duarte – Psicóloga e Psicoterapeuta

O Papel dos Pais na Promoção da Adaptação dos Adolescentes à Doença Crónica

PSITALK

pais e doença crónica

Os estilos e práticas parentais parecem ter um papel fundamental na socialização, podendo facilitar ou dificultar os vários desafios que se apresentam ao adolescente (Sprinthall & Collins, 1999), sendo que os pais têm um papel fulcral de suporte emocional (Wenz-Gross et al., 1997). De um modo geral existe um consenso de que em termos de estilos e práticas parentais, tanto as que são muito liberais/permissivas, ou, em contraste, muito autoritárias/punitivas, não são as mais indicadas na relação com os filhos. As primeiras não permitem ao jovem perceber os limites na vida familiar e social, e, as segundas, não possibilitam à criança libertar a sua agressividade no seio da família, pelo que terá de o fazer em outros contextos (p.e. na rua ou escola) (Coslin, 1999; Favre & Fortin, 1999). Assim, tanto em crianças mais pequenas como em adolescentes, uma relação de apego seguro, um estilo parental democrático

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O Papel dos Pais na Promoção da Adaptação dos Adolescentes à Doença Crónica

pais e doença crónica

Os estilos e práticas parentais parecem ter um papel fundamental na socialização, podendo facilitar ou dificultar os vários desafios que se apresentam ao adolescente (Sprinthall & Collins, 1999), sendo que os pais têm um papel fulcral de suporte emocional (Wenz-Gross et al., 1997). De um modo geral existe um consenso de que em termos de estilos e práticas parentais, tanto as que são muito liberais/permissivas, ou, em contraste, muito autoritárias/punitivas, não são as mais indicadas na relação com os filhos. As primeiras não permitem ao jovem perceber os limites na vida familiar e social, e, as segundas, não possibilitam à criança libertar a sua agressividade no seio da família, pelo que terá de o fazer em outros contextos (p.e. na rua ou escola) (Coslin, 1999; Favre & Fortin, 1999). Assim, tanto em crianças mais pequenas como em adolescentes, uma relação de apego seguro, um estilo parental democrático, a promoção de relações sociais, a resposta às necessidades dos filhos, uma saúde mental adequada dos pais e uma boa rede de suporte social dos mesmos apresentam-se como factores de protecção no desenvolvimento social e pessoal (Moreno, 2004a,; Moreno, 2004b).

Mais especificamente, numa situação de doença crónica, os desafios com os quais o jovem já se confronta tipicamente na adolescência (significativas alterações físicas, emocionais, sociais e cognitivas (Bizarro, 2001)), podem tornar-se ainda mais complexos, difíceis e agravados (Barros, 2009).
Ora, fácil também não é a tarefa das pessoas envolvidas nesse processo, nomeadamente os pais e a família, sendo que ainda com variações consoante o grau de severidade da doença, intensidade dos tratamentos e limitações da rotina, é toda uma realidade que se modifica, sendo necessários recursos que permitam a aceitação destas transformações (Santos, 2012). Como é evidente, o ambiente social em que a criança vive e se desenvolve e a família mais restrita muito em particular, irão determinar o significado atribuído à doença crónica, os recursos internos e externos disponíveis, e, de forma geral, toda a adaptação da criança e adolescente, sendo a doença crónica claramente um assunto de família, onde todos os elementos vão ser afectados e ter que desenvolver mecanismos de ajustamento.
Nestas situações, os pais confrontam-se com algumas questões únicas, tais como o ter que aceitar a doença crónica, modificar as suas expectativas sobre um filho saudável, alterar rotinas e projectos em face da doença e suas limitações, lidar com responsabilidades financeiras associadas, planear a educação e o cuidado continuado ao longo da vida, lidar com o stress associado a uma condição que não é partilhada por outros, e, com a ambivalência e conflito inerentes. Ainda cabe aos pais ajudarem os filhos a aceitarem a doença, limitações e tratamentos associados, gerir emoções de tristeza, raiva e frustação, e, extremamente importante, manter algum equilíbrio nas suas próprias emoções e em outras áreas das suas vidas (Coffey, 2006; Barros, 2009; Santos, 2012).
Os padrões interactivos familiares podem tornar-se um factor de risco e influenciar aspectos emocionais e comportamentais nestes jovens, bem como a adaptação psicossocial do jovem com doença crónica, o seu sucesso nas tarefas desenvolvimentais e no decurso da doença, particularmente na adesão aos tratamentos (farmacologia, dietas, cuidados de higiene, etc) (Viana, Barbosa, & Guimarães, 2007). O relacionamento pais-filhos parece ser menos positivo nestas situações, apresentando níveis mais elevados de controlo, sobreprotecção e estilos parentais autoritários/negligentes, comparativamente com famílias saudáveis (onde se verificam níveis mais baixos de responsividade emocional e estilos parentais democráticos).
Porém, a literatura salienta que os pais de jovens com doença crónica conseguem, ainda assim, ter uma adaptação razoável (Pinquart, 2013) e, comparativamente a famílias saudáveis, não diferem significativamente entre si no que diz respeito ao funcionamento familiar geral (Herzer, Godiwala, Hommel, Driscoll, Mitchell, Crosby, Piazza-Waggoner, Zeller, & Modi, 2010). Apesar desta adaptação razoável, a doença crónica traz frequentemente, várias consequências para outras funções e papéis sociais e pessoais e períodos de crise muito difíceis (Barros, 2009). As situações específicas de epilepsia, deficiência auditiva e asma podem mesmo ter maiores dificuldades em encontrar níveis apropriados de comportamentos protectores, controlo e afecto parental, no sentido da construção de relacionamentos mútuos positivos entre crianças e pais (Pinquart, 2013).
A investigação indica ainda que os pais de adolescentes com doença crónica parecem ser mais protectores e colocar mais restrições à autonomia e independência dos filhos, do que os pais de jovens saudáveis (Eiser & Berrenberg, 1995). Diferentes estudos evidenciam que os pais tendem a usar práticas educativas menos exigentes com os seus filhos doentes (Ievers, Drotar, Dahms, Doershuk, & Stern, 1994), e, por seu lado, os jovens são capazes de reconhecer que os pais lhes atribuem privilégios especiais (Walker, Garber, & Van Slyke, 1995). Assim, o processo de conquista da autonomia e independência dos pais (que se acentua normativamente na adolescência) pode também ficar comprometido, uma vez que o jovem se poderá ver numa situação de forçada dependência para apoio instrumental/emocional e fisicamente restringido comparativamente aos seus pares saudáveis (Kasak, Segal-Andrews, & Johnson, 1995).
Desta forma, a família tanto pode ser um facilitador importante na adaptação, ou, pelo contrário, dificultadora ou um obstáculo a essa mesma adaptação (Braconnier & Marcelli, 2000; Barros, 2009). Os pais têm mesmo sido considerados como importantes nas definições do papel de doente, na gestão do controlo dos sintomas e nas atitudes de adesão às prescrições médicas (Barros, 2009). Eles assumem então um novo papel de cuidadores, de gestão e monitorização da doença, e, em simultâneo, proporcionam um espaço de autonomização ao jovem (Barros, 2009), colocando-se um ênfase especial no papel dos pais na promoção da adaptação à doença crónica (Simões, Matos, Ferreira, & Tomé, 2009). Contudo, estes objectivos podem ser contraditórios e difíceis de conciliar, sendo necessário um enorme balanceamento entre as necessidades de protecção da saúde e as de autonomização e responsabilização. O binómio proteger e autonomizar torna-se, assim, uma arte nova a aprender, nada fácil de colocar em prática, onde impera ter que manter a protecção que o filho/a necessita, e, simultaneamente, evitar a superprotecção, cujos efeitos podem ser discriminatórios, conduzir a situações de incómodo/embaraço social e a que o jovem se percepcione como não sendo capaz de autonomamente gerir a sua vida (Santos, 2012).

Face a tudo exposto, frequentemente, pode ser necessário o recurso a técnicos que ajudem os pais a lidar com emoções, expectativas, conflitos de valores e transições de vida, até porque uma situação de doença crónica pode trazer enormes alterações na dinâmica familiar, nomeadamente o aparecimento de conflitos entre o casal e o aumento da rivalidade entre irmãos (Cobb & Warner, 1999). A intervenção com pais deve fornecer aspectos principais focados em 3 dimensões: educacional (informação e treino de competências), terapêutica (focada nas necessidades dos pais no processamento e compreensão das suas emoções e experiências), e, organizacional (centrada nas necessidades de suporte social dos pais) (Fine, 1991), através de programas de intervenção educativa parental, apoio individualizado psicoterapêutico e terapia familiar. Existem também associações relacionadas com condições clínicas em particular (exp.: Associação de Jovens Diabéticos de Portugal, entre outras), que podem assumir o papel de rede de suporte psicossocial a jovens e pais. Estas permitem fornecer informações potencialmente facilitadoras da adaptação e compreensão da condição clínica, permitindo um sentimento de pertença e de partilha da mesma situação e actuar como modelos sociais de estratégias de coping eficazes, apresentando soluções em resposta aos problemas relacionados com a doença Outro objectivo será ainda ajudar a família a fazer a transição entre infância/juventude e fase adulta, mantendo uma comunicação aberta e eficaz entre os vários elementos da mesma.
Salienta-se, por fim, que a família é necessariamente um alvo de intervenção quando existem condições pediátricas incapacitantes, devido à relação crucial de dependência numa idade em desenvolvimento e também ao impacto que uma condição de saúde crónica tem na criança e ambiente familiar (Russo, Chiusso, Trevisi, Martinuzzi, Zulian, Battaglia, Viel, & Facchin, 2012).

Pode consultar artigo integral em:
http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/rpca/article/view/429/409
Santos, T., Matos, M.G., Simões, C. Camacho, I., Tomé, G., & Moreno, M.C. (2013). Estilos Parentais E Desenvolvimento Positivo Em Crianças e Adolescentes Com Doença Crónica. Revista de Psicologia da Criança e do Adolescente/Journal of Child and Adolescent Psychology, 4(2), 185-204.

Teresa Santos – Psicóloga e Psicoterapeuta

Vá de férias sem stress!

Férias sem stress

Apesar de agosto já não ser o mês típico de férias de há uns anos atrás, para a semana muitos iniciam as suas férias tão desejadas.

As férias são essenciais para a saúde mental pois, na sua maioria, possibilitam, compensar “tempo perdido”, desligar do frenesim e do piloto automático do quotidiano, estando menos tempo em modo de fazer e mais em modo de ser e de estar, em contacto com o momento presente. É o tempo de relaxar sem culpa, das actividades prazerosas, de se estar com família, amigos, de visitar aquele novo país ou local, ou de regressar ao nosso lugar especial onde nos sentimos tão bem. Esta mudança de ritmo é muito importante para o equilíbrio emocional e físico, pois permite-nos recarregar baterias e voltarmos às nossas actividades habituais mais enérgicos, produtivos e até criativos
Contudo, como tudo na vida, a adaptação a este período tão desejado poderá não ser fácil, seja por termos expectativas irrealistas, seja por não termos o dinheiro para a concretização das “férias de sonho”, ou por não nos acharmos merecedores de momentos de paz e tranquilidade ou ainda por alterarmos bruscamente os nossos ritmos de sono, alimentares e de actividade física.

Deixamos por isso, algumas dicas para umas férias com menos stress:

• Antes de ir de férias resolva assuntos pendentes, para não darem lugar a futuras preocupações.
• Pense no que realmente é importante para si e planeie algo em conformidade, de forma a evitar a sensação de não ter aproveitado as férias.
• Se tiver filhos que já não sejam de colo, procure tirar alguns dias para si, sozinho e/ou em casal.
• Alimente-se de forma equilibrada, com refeições leves e frescas e não descure a actividade física. Pode não ter possibilidade de praticar o que está habituado, mas tem outras alternativas como caminhadas, passeios de bicicleta e variadas actividades náuticas.
• Evite uma calendarização excessiva das suas férias, permitindo-se desfrutar de momentos imprevistos e já agora, libertar a criança que tem em si.
• Conecte-se ao presente, ao aqui e agora. Está na praia? Sinta o calor do sol ou o refrescante banho de mar na sua pele, oiça o barulho das ondas e das gaivotas, cheire a maresia, delicie-se com a bola de Berlim, observe a paisagem luminosa e colorida.

Vá de férias sem stress e, quando regressar, não espere mais onze meses para continuar a cuidar de si.

Catarina Barra Vaz -Psicoterapeuta e Neuropsicóloga