A Resiliência da Fragilidade

resi da frag

How fragile we are” assim diz a música do Sting que canta e relembra a fragilidade do ser humano quando as estrelas ficam zangadas. Mas, curiosamente, conhecendo os lugares pouco luminosos para onde estas estrelas nos levam também conhecemos um outros, aqueles em que se testa o quanto aguentámos a zanga estrelícia e esses fortalecem-nos, relembrando a máxima “O que não nos mata, torna-nos mais fortes”. E forte não é sempre erguido. É antes umas vezes erguido outras caído o que importa é saber que podemos cair e que, nalgum momento, também nos conseguiremos erguer.

A proposta é de que conhecendo a fragilidade (a nossa, dos outros e a da própria vida) tem-se OPORTUNIDADE para também conhecer a RESILIÊNCIA. Este é um conceito complexo mas que, essencialmente, pretende definir a capacidade das pessoas lidarem com problemas, superar obstáculos e/ou resistir à adversidade de situações (traumas, stress, etc.) sem entrar em ruptura psicológica. Ou seja, mantendo-se próximo do que era o seu estado anterior à situação, não ficando preso na dor da experiência.

Parece-me que a viver a vulnerabilidade humana resulta de uma percepção/avaliação de se estar em risco numa situação e, perante isto, assumirmos que a única hipótese é encaixarmo-nos na nossa fragilidade com os nossos sentimentos, corpo, coração e alma. Vivemo-la e descobrimos os cambiantes da sua dor. Chorar, gritar, desesperar, zangar são acções válidas e necessárias na fragilidade porque a partir delas conhecemos aspectos como o alívio, o apoio, a tranquilidade, a esperança e até o amor. Estas dimensões passam a ser conhecidas porque admitimos que tudo é autorizado a ser vivido na situação fragilizante e porque esta permissão torna mais claro o que é e não é de valor na vida.

Para se ser resiliente temos que conhecer e abraçar, por momentos, o nosso risco, desprotecção e depois ir descobrindo, conhecendo e abraçando o que o atenua ou afasta. Um grande bónus disto é o crescimento pessoal que acontece. Afinal, existe um movimento adaptativo de MUDANÇA no ser humano que tem como orientação o que é agradável e vivo por oposição ao que é desagradável e árido. Este movimento implica TEMPO real (dias, meses, anos) e está presente em todos nós talvez sob o desígnio de instinto de melhor sobrevivência.

Os momentos em que nos sentimos sozinhos, tristes ou desprotegidos fazem parte da condição humana mas a forma como os agarramos e os integramos é que faz com que sejamos mais ou menos resilientes atribuindo piores ou melhores argumentos à vida, tal como diz a música:

Tomorrow’s rain will wash the stains away

But something in our minds will always stay

Perhaps this final act was meant

To clinch a lifetime’s argument

  Rita dos Santos Duarte – Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta

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